O Canal do Sertão: Um Projeto Esquecido e a Luta por Representação no Araripe

Folha do Araripe

Folha do Araripe
CARIDADE, CE, BRASIL, 21-06-2016: Vista do chão rachado do açude seco, São Domingos, em Caridade. Açude secos em Canindé e Caridade. (Foto: Fábio Lima/O POVO)

Em meio a promessas de progresso e desenvolvimento, o sertão pernambucano clama por uma solução que há muito deveria ter sido implementada: o Canal do Sertão. Um projeto que, se concretizado, teria o potencial de transformar a vida de milhares de nordestinos, mas que, até o momento, permanece esquecido, sufocado pela ineficácia política e pela falta de comprometimento com a realidade da região.

A região do Araripe, que abriga quase 400 mil votos, deveria ser um bastião de força política. No entanto, essa força é nitidamente subutilizada. O debate em torno do Canal do Sertão não consegue romper a bolha das promessas vazias. Um pequeno grupo de vozes tenta sensibilizar o governo e a sociedade sobre a urgência do projeto, mas sem a devida força e representação, suas palavras ecoam em vão.

A ineficácia da COMPESA e o drama da falta d’água para o consumo básico são preocupações constantes para a população sertaneja. Vidas inteiras são marcadas pela escassez, enquanto a riqueza dos solos férteis da região permanece inexplorada devido à falta de infraestrutura hídrica. O Canal do Sertão não é apenas uma obra de engenharia; é um projeto de vida. Quando se fala em levar água para os municípios sertanejos, fala-se em dignidade, em saúde, em oportunidades de desenvolvimento econômico e social.

A falta de um plano concreto e a visão míope dos políticos que têm a responsabilidade de zelar pelo bem-estar do povo pernambucano perpetuam um ciclo de promessas. A história se repete a cada período eleitoral. A população escuta palavras mirabolantes sobre investimentos que nunca chegam e sobre projetos que permanecem no papel, enquanto a realidade da seca e da miséria se impõem de forma cruel.

A lentidão no avanço do Canal do Sertão reflete um descaso com uma das regiões mais marginalizadas de Pernambuco. Se o sertão fosse verdadeiramente prioridade, já teríamos presenciado os primeiros passos concretos em direção à realização desse sonho coletivo. A visão política que se tem é de calamidade, onde o crescimento e a inovação são sufocados pela falta de ação.

Chegou o momento de exigir que o projeto do Canal do Sertão saia do esquecimento. É fundamental que a população se una em torno da necessidade de uma representação política comprometida com o desenvolvimento real, que olhe para o sertão com empatia e responsabilidade. Enquanto isso não acontecer, as vozes do Araripe continuarão a ser ignoradas, e a luta por água e dignidade se tornará mais uma página triste na história de um povo que não pode continuar a viver de promessas. 

A hora de agir é agora. O futuro do sertão e de sua gente depende de nossa capacidade de cobrar e lutar por mudanças reais e concretas. Que não sejamos mais um capítulo esquecido, mas sim um exemplo de resistência e força em busca de um futuro melhor.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*